IA no Brasil

Mais da metade das empresas brasileiras pretende investir em IA nos próximos 12 meses

Pesquisa da Abiacom mostra avanço do interesse, mas aponta baixa maturidade, uso informal da tecnologia e ausência de políticas de governança

Tempo de leitura: 2 minutos


Uma pesquisa inédita divulgada pela Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abcomm) mostra que 51,1% das empresas brasileiras pretendem investir em inteligência artificial nos próximos 12 meses, indicando que o tema deve ganhar ainda mais espaço nas estratégias corporativas.

📄 O estudo completo está disponível neste link.

Apesar desse interesse crescente, o levantamento revela que a maioria das organizações ainda está nos estágios iniciais de adoção da tecnologia. Segundo o estudo, 72% das empresas se encontram em níveis considerados iniciante ou experimental, o que aponta para um cenário marcado por curiosidade e testes pontuais, mas com baixa maturidade estratégica.

Mesmo com a adoção formal ainda limitada, o uso prático da inteligência artificial já ocorre de forma relevante dentro das companhias. De acordo com a pesquisa, 47,4% dos profissionais afirmam utilizar ferramentas de IA de maneira não oficial em suas rotinas de trabalho, prática conhecida como Shadow AI.

Segundo a associação, o dado chama atenção para riscos relacionados à segurança da informação e à governança, especialmente porque 59,1% das empresas brasileiras ainda não possuem políticas formais ou diretrizes claras para o uso da tecnologia.

Realizada em parceria com a empresa de pesquisas Brazil Panels e a escola de negócios Lideres.ai, a pesquisa ouviu 200 profissionais em todo o Brasil entre outubro e novembro de 2025.

“O Brasil está vivendo o maior movimento de transformação digital desde a popularização da internet. As empresas querem avançar em inteligência artificial, mas esbarram na falta de estrutura, governança e capacitação. O grande desafio agora é transformar curiosidade em estratégia”, afirma Claudio Vasques, CEO da Brazil Panels.

Detalhamento

As áreas que lideram o uso oficial de inteligência artificial nas empresas são Marketing e Atendimento ao Cliente, ambas com cerca de 24% de adoção, seguidas por Vendas e Tecnologia da Informação. Já setores como Recursos Humanos, Jurídico, Compras e Logística apresentam menor presença da tecnologia, apesar do potencial de automação e ganho de eficiência.

O receio de substituição no mercado de trabalho aparece como um dos fatores que dificultam uma implementação mais estruturada da IA. Parte dos entrevistados vê a tecnologia como uma ameaça ao emprego, enquanto outros avaliam que ela deve transformar rotinas, sem eliminar funções. Um terço dos profissionais enxerga a inteligência artificial mais como oportunidade do que como risco, indicando um ambiente dividido entre medo, adaptação e visão estratégica.

Para Mauricio Salvador, presidente do comitê de IA da Abiacom, o cenário exige uma resposta mais ativa das organizações. “Se a empresa não investir em treinamentos, seguirá com equipes sem conhecimento técnico, com medo da inovação ou usando ferramentas de forma escondida, o que pode trazer danos irreversíveis à competitividade e à segurança”, analisa.

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