A Agendor, desenvolvedora de ferramentas para gestão de vendas e relacionamento com clientes (CRM), está ampliando o uso de inteligência artificial em seus negócios. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, o cofundador da empresa, Júlio Paulillo, fala sobre o lançamento da Ava, um agente voltado ao apoio de executivos comerciais.
Além disso, a companhia já prepara um novo agente de IA, desta vez direcionado a gestores comerciais. Paulillo também detalha as perspectivas de crescimento do negócio, após avanço de 45% no último ano. Para 2026, a meta é manter esse mesmo ritmo de expansão.
Como a empresa atua no mercado atualmente?
A Agendor começou suas atividades em 2012, com a proposta de organizar o processo comercial em vendas consultivas B2B e aumentar a produtividade de executivos e gestores. Nesse contexto, lançou seu CRM, que segue como o principal produto e base do crescimento ao longo dos anos.
Mais recentemente, a companhia passou a se posicionar como um ecossistema de soluções para vendas B2B. Além do CRM, oferece também o Agendor Chat, uma plataforma de atendimento via WhatsApp voltada para vendas consultivas.
Quantas empresas utilizam atualmente as soluções da companhia?
Atualmente, a empresa atende mais de 6.300 clientes, somando mais de 30 mil profissionais usuários em todo o Brasil.
Como a inteligência artificial vem sendo aplicada no dia a dia da plataforma de CRM da Agendor?
Desde o final de 2022, a Agendor passou a avaliar o uso de IA generativa com foco em potencializar as áreas comerciais. Enquanto parte do mercado direciona a tecnologia para a substituição de profissionais, a companhia adota uma abordagem diferente, especialmente no contexto de vendas consultivas B2B, em que o relacionamento entre vendedores e clientes tem papel central.
Em negociações de maior valor — que podem variar de dezenas de milhares a milhões de reais —, a interação humana segue sendo um fator determinante. Nesse cenário, a empresa entende que a IA deve atuar como suporte ao trabalho do executivo comercial, e não como substituta.
Além disso, há o reconhecimento de que os executivos comerciais, devido à rotina intensa de visitas e reuniões, costumam ter menor engajamento com o CRM. Por isso, o uso de IA também busca facilitar esse processo e aumentar a adesão às ferramentas.
Foi aí que surgiu a Ava, nosso agente que atua como uma secretária executiva comercial 24/7 para o executivo comercial externo.

Como funciona essa tecnologia?
A Ava foi desenvolvida como uma copilota do executivo comercial externo, perfil que costuma ter menor engajamento com o CRM e, por isso, influencia diretamente o desempenho da área comercial.
A solução atua via WhatsApp, integrada ao CRM, funcionando como uma assistente de trabalho no dia a dia. Na prática, assume tarefas operacionais e repetitivas, como registro, atualização e enriquecimento de dados, reduzindo a necessidade de inserção manual de informações.
Além disso, a ferramenta gera insights para apoiar a gestão do funil de vendas, da carteira de clientes e dos contatos realizados pelo WhatsApp, contribuindo para uma atuação mais estruturada do vendedor.
Qual é o potencial de impacto dessas soluções no dia a dia das empresas?
A nossa empresa iniciou projetos piloto com alguns clientes e começou a disponibilizar a Ava para parte da base de usuários.
A atuação da tecnologia está estruturada em cinco frentes principais: geração de novas oportunidades de negócio, melhoria das taxas de conversão, aumento de receita, redução do ciclo de vendas e ganho de produtividade do vendedor.
A combinação desses fatores pode gerar, em determinados cenários, um aumento estimado de 40% a 70% na receita.

Quais são as próximas novidades da empresa?
Temos em mente o desenvolvimento de um agente voltado ao gestor comercial, com foco em análises, geração de insights estratégicos e acompanhamento mais amplo da performance das equipes.
Essa iniciativa deve vir acompanhada de automações baseadas em inteligência artificial, integrando uma estrutura mais ampla de uso da tecnologia para apoiar a área comercial.
A visão da Agendor é que as interfaces tendem a se tornar menos rígidas e mais dinâmicas, sendo adaptadas por IA de acordo com as necessidades do usuário em cada momento. Esse modelo se aproxima do que já ocorre em ferramentas como o ChatGPT, mas não necessariamente por meio de interação textual, e sim com elementos inteligentes operando em segundo plano.
Quais são as perspectivas de crescimento da empresa?
Registramos crescimento de 45% no último ano e projetamos manter esse ritmo ao longo deste ano. Essa estimativa já considera a Ava, mas ainda não incorpora o impacto potencial do novo produto voltado ao gestor comercial que mencionei na resposta anterior.
A inteligência artificial deve atuar como um fator de aumento de produtividade, e não de substituição de profissionais. Ao ampliar a capacidade de entrega dos times comerciais, a tendência é de ganhos relevantes em eficiência, o que pode contribuir também para o crescimento das empresas e do próprio mercado.






