A BHP vem ampliando o uso de Inteligência Artificial (IA) em suas operações ao redor do globo. Segundo a companhia, a estratégia tem como objetivo reduzir tempos de inatividade, mitigar riscos operacionais e adicionar até US$ 250 milhões por ano ao lucro líquido.
A tecnologia já é aplicada em correias transportadoras, áreas de detonação, caminhões de transporte de minério, britadores de rocha e sistemas de segurança.
Na mina de cobre Escondida, no Chile, a IA passou a ser utilizada na otimização dos padrões de detonação. A partir da análise de dados históricos de perfuração e do uso de algoritmos de Machine Learning, a empresa consegue estimar com maior precisão a densidade do corpo de minério. Com isso, as detonações são projetadas para concentrar explosões mais intensas nas rochas mais duras, melhorando a fragmentação do material.
Segundo Johan van Jaarsveld, diretor técnico da BHP, “a quebra da rocha torna-se muito mais eficiente, a ponto de os moinhos não precisarem trabalhar tanto, o que significa que é possível processar mais rocha”.
De acordo com o executivo, após a adoção da tecnologia, a produção dos moinhos aumentou 3%, o que representa cerca de 30 mil toneladas adicionais de cobre em uma mina que produz aproximadamente 1,3 milhão de toneladas por ano.

Outra frente de adoção tecnológica envolve o uso de visão computacional nas operações de minério de ferro da empresa na Austrália Ocidental (WAIO) e também em Escondida. A solução utiliza sistemas de CFTV já existentes combinados com softwares de sobreposição para identificar derramamentos em vagões ferroviários e detectar rochas de tamanho excessivo ou objetos estranhos em correias transportadoras.
Com esse sistema, quando uma sobrecarga é detectada, o carregamento do trem pode ser interrompido e a calha elevada em menos de meio segundo. Jaarsveld explica que há “um agente de IA que assiste ao vídeo em tempo real e consegue identificar rapidamente objetos que podem danificar uma esteira transportadora ou bloquear um britador”. Um alerta é enviado à sala de controle, o material é removido e paralisações mais longas são evitadas.
A redução do tempo de inatividade permite adicionar até 1 milhão de toneladas extras de minério ao sistema de exportação da WAIO, o que resulta em um incremento de cerca de US$ 50 milhões por ano em retornos. “Com um investimento de alguns milhões de dólares em toda a operação, você recupera com US$ 50 milhões todos os anos, para sempre”, afirma o executivo.
A BHP também passou a empregar Inteligência Artificial Generativa (GenAI) em seus chamados “gêmeos digitais”. Essas ferramentas funcionam como réplicas virtuais detalhadas de toda a cadeia de valor da mineração, da mina ao porto, permitindo testar diferentes cenários e avaliar impactos em um ambiente simulado antes da implementação no mundo real.
Além disso, soluções mais simples de IA vêm sendo usadas para reforçar a segurança operacional. Entre elas, sistemas de conversão de voz em texto que permitem aos funcionários reportar riscos por meio de um aplicativo móvel, substituindo formulários em papel. As informações são georreferenciadas, registradas em tempo real e analisadas pelo sistema, que gera avaliações rápidas de risco e alertas baseados em ocorrências anteriores.






