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C-MORE aposta em IA para análise de dados ambientais e vê o Brasil como polo global de sua operação

Empresa vê demanda crescente por tecnologia de risco sustentável e defende integração de dados e padronização de métricas

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A C-MORE estruturou recentemente sua operação no Brasil com foco em usar tecnologia para integrar e analisar dados ESG (Ambiental, Social e Governança) de toda a cadeia produtiva, em tempo real. Para a empresa, a inteligência artificial terá um papel decisivo na consolidação da agenda de compromissos ambientais das companhias, pois transforma grandes volumes de informação em inteligência operacional.

O vice-presidente Comercial da C-MORE para Brasil e América Latina, André Veneziani, afirmou à reportagem do IA Brasil Notícias que a companhia cresce cerca de 300% ao ano globalmente, e que o Brasil tem tudo para se tornar um dos seus mercados mais relevantes, tanto pela escala quanto pela urgência de modernizar a infraestrutura de dados sustentável do país.

“Nos próximos anos, vemos o Brasil se consolidando como um dos principais polos globais da C-MORE. Nossa proposta é entregar uma visão 360° de ponta a ponta, reunindo dados financeiros, operacionais, climáticos, sociais e regulatórios em um único ecossistema digital”, afirmou.

A companhia enxerga demanda crescente por soluções capazes de medir riscos complexos, dar transparência às cadeias de suprimentos e garantir conformidade às novas regras ESG.

A C-MORE diz que opera com inteligência artificial para expandir a análise de risco sustentável como um todo, desde a due diligence até o monitoramento contínuo de indicadores. A proposta é ampliar visibilidade sobre toda a cadeia de valor, inclusive fornecedores mais distantes, onde historicamente houve lacunas de informação.

No Brasil, a expansão da C-MORE está organizada em cinco frentes: mercado financeiro; turismo sustentável e real estate; agronegócio; indústria e cadeias de suprimentos; e governos municipais e estaduais.

Foto: rawpixel
Integração de dados ainda é o principal desafio

Ao analisar o estágio atual do país na adoção de tecnologia para medir impacto ambiental, Veneziani vê avanços importantes em satélites, agricultura digital e sistemas de rastreabilidade, mas destaca que a fragmentação das bases de dados segue como obstáculo estrutural.

Hoje, informações ambientais, operacionais e socioeconômicas são produzidas em grande volume, mas estão dispersas entre setores produtivos, instituições financeiras e órgãos públicos, cada um com metodologias próprias. Essa falta de padronização reduz comparabilidade e dificulta análises em escala nacional.

“O país está no caminho certo, mas precisa avançar rapidamente na integração de dados, na padronização de métricas e na construção de auditorias contínuas. Esse é o passo para medir impacto em escala nacional, e não apenas em iniciativas isoladas”, afirmou.

Para ele, o avanço depende não apenas de consolidar dados, mas de aplicar modelos de IA capazes de detectar riscos emergentes, prever impactos financeiros e produzir inteligência acionável. Essa capacidade, segundo o executivo, é o que permite evoluir de relatórios retrospectivos para uma gestão de risco preditiva.

Veneziani afirma que o uso de IA tende a acelerar a consolidação da agenda ESG dentro das empresas.

“A inteligência artificial tem um papel decisivo na consolidação da agenda ESG porque transforma grandes volumes de informação, antes dispersos, incompletos e difíceis de comparar, em inteligência operacional. Isso significa dar escala, profundidade e precisão à gestão de riscos socioambientais”, avaliou.

Foto: Freepik
O papel do Brasil na descarbonização global

O executivo lembra que o Brasil reúne recursos naturais e capacidade produtiva suficientes para assumir posição central na economia de baixo carbono. No entanto, para transformar esse potencial em vantagem competitiva é preciso ir além.

Ele avalia que descarbonização em larga escala só ocorre quando “deixa de ser um nicho de projetos isolados e passa a fazer parte do mainstream econômico”, algo que só é possível com tecnologia que conecte recursos financeiros verdes, projetos de descarbonização, veículos financeiros, certificadoras, entidades públicas fomentadoras e os principais atores da cadeia produtiva.

“A tecnologia se torna o elemento unificador, trazendo transparência, rastreabilidade e comparabilidade para que todos falem a mesma língua”, disse.

Segundo ele, o país precisa avançar em metodologias harmonizadas de medição de carbono, biodiversidade e uso da terra; integração de dados entre produtores, cooperativas, indústrias, seguradoras e instituições financeiras; e uso combinado de satélites, sensores, auditorias tecnológicas e modelos de IA.

Foto: pressfoto
Análise integrada em tempo real

A C-MORE fiz que aposta em auditorias contínuas e análise integrada para transformar dados dispersos em informação acionável. O ecossistema digital reúne dados financeiros, ambientais, sociais, operacionais e regulatórios, combinando verificações documentais e físicas com modelos de IA treinados para identificar padrões de risco e inconsistências.

Segundo Veneziani, o maior avanço está na automação da lógica ESG. Um dado inserido uma vez alimenta automaticamente todos os indicadores, métricas e frameworks relacionados.

“Isso elimina redundâncias, reduz erros e assegura que relatórios, certificações e análises de risco sejam consistentes, auditáveis e comparáveis. Para as empresas, o principal avanço está na capacidade de enxergar sua operação e cadeia de valor de forma verdadeiramente integrada”, frisou.

Ela ainda acrescenta que é possível acompanhar, em tempo real, todo o ecossistema, do cliente aos fornecedores de níveis mais profundos, com monitoramento contínuo de riscos socioambientais, climáticos, reputacionais e financeiros.

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