Opinião

Competir com IA não é o caminho

O futuro do trabalho será definido pelas pessoas que continuarem curiosas, abertas ao aprendizado e dispostas a evoluir, escreve Melissa Artioli

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Se eu pudesse hoje dar um conselho para quem está entrando no mercado de trabalho, seria este: não se prepare para competir com a inteligência artificial, mas sim para trabalhar ao lado dela.

A tecnologia vai continuar evoluindo, surgirão novas profissões, tantas outras vão desaparecer e muitas atividades serão automatizadas. Isso faz parte da transformação do mercado. Mas posso afirmar que o valor das pessoas que sabem aprender, pensar e se adaptar definitivamente não mudará.

O conhecimento técnico continua, sim, sendo importante, mas já não é suficiente. A necessidade de combinar competências tecnológicas e humanas já aparece, inclusive, nas projeções do mercado.

Segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores deverão mudar ou se tornar desatualizadas até 2030. No mesmo período, seis em cada dez profissionais precisarão de algum tipo de capacitação ou requalificação.

Mas posso afirmar que o valor das pessoas que sabem aprender, pensar e se adaptar definitivamente não mudará.

Esse mesmo estudo mostra que, embora inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica estejam entre as habilidades que mais crescerão em importância, competências como pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, curiosidade e aprendizagem contínua continuarão entre as mais valorizadas pelas empresas.

Por isso, jovem, seu maior diferencial não será decorar respostas, mas desenvolver a capacidade de aprender continuamente. A tecnologia não dispensa a capacidade de interpretar contextos, saber se comunicar e escolher.

As empresas seguirão buscando, cada vez mais, profissionais que saibam resolver problemas, trabalhar em equipe, comunicar ideias com clareza e tomar boas decisões. A inteligência artificial pode gerar respostas em segundos, mas ainda depende das pessoas para fazer as perguntas certas, interpretar informações, exercer julgamento e agir com responsabilidade.

Se você está começando sua carreira, vale concentrar sua energia em cinco atitudesAntes de mais nada: nunca pare de aprender, pois a curiosidade será um dos ativos mais valiosos em sua trajetória.

Além disso, aprenda a lidar com mudanças, já que o mercado continuará se transformando e quem aprende rápido se adapta mais facilmente às novas oportunidades. 

Desenvolva suas habilidades humanas, como comunicação, pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e colaboração. Todas elas continuarão sendo diferenciais em qualquer profissão.

O quanto antes, assuma o protagonismo da sua carreira! Não espere que a empresa ou a faculdade definam o seu crescimento. Busque experiências, faça perguntas, desenvolva projetos e seja protagonista do seu aprendizado.

E, por fim, use a inteligência artificial como aliada. Aprenda a utilizá-la para produzir melhor, analisar informações e ampliar sua capacidade de resolver problemas. A tecnologia até pode substituir tarefas, mas tem também o poder de ampliar o potencial de quem sabe usá-la.

O aprendizado constante é uma das ideias que compartilho em meu primeiro livro, “Solte, Entregue, Confie”: você não controla todas as mudanças que acontecem no mundo, mas pode escolher como se preparar para elas.

No fim, o futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia. Será definido pelas pessoas que continuarem curiosas, abertas ao aprendizado e dispostas a evoluir.

O diferencial continuará sendo humano.

Melissa Artioli é executiva, empreendedora e autora do livro “Solte, Entregue, Confie – Uma jornada para sua melhor versão”, publicado pela DVS Editora.

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