Uma pesquisa do MIT Technology Review Brasil, em parceria com a Peers Consulting + Technology, aponta que 90% das empresas que adotaram GenAI têm como principal objetivo aumentar a produtividade. Entre os impactos já observados, 41% relatam melhorias na experiência do cliente e 51,8% veem ganhos concretos, especialmente com redução de custos em áreas de testes. Além disso, 65% percebem resultados positivos ao combinar eficiência operacional com personalização no atendimento.
O estudo analisou práticas de grandes companhias como Ambev, Vivo e Itaú Unibanco e identificou cinco pilares que diferenciam as empresas mais maduras em GenAI: alinhamento à estratégia de negócio; integração ampla e automação corporativa; democratização de dados; construção de plataformas internas com governança sólida; e foco em eficiência operacional combinada à personalização.
Segundo o relatório, as empresas avançam para uma adoção mais estruturada, mas a velocidade varia de acordo com o nível de planejamento, integração e governança.
“As companhias que consolidarem governança, infraestrutura de dados e cultura digital transformarão a tecnologia em diferencial competitivo. O que diferencia as empresas que transformam a GenAI em vantagem competitiva não é o investimento na tecnologia, mas a capacidade de conectá-la à estratégia de negócio, integrá-la aos processos e criar uma governança sólida”, afirma Bruno Horta, diretor executivo da Peers Consulting + Technology.
Barreiras à maturidade
A pesquisa também aponta entraves relevantes. A falta de capacitação técnica e cultural segue como uma das barreiras mais críticas, limitando a adoção responsável e em escala. Apenas 6,1% das organizações possuem comitês formais de IA e 22% se consideram preparadas para integrar a tecnologia a sistemas críticos.
Outro obstáculo é a qualidade dos dados, ainda tratada como tema secundário em muitas corporações. Além disso, a proliferação de provas de conceito desconectadas da estratégia de negócio gerou projetos pouco aplicáveis, de baixa escalabilidade e retorno duvidoso.
“A lição é clara: sem dados de qualidade, a GenAI deixa de ser um ativo e passa a ser um risco ou um custo mal dimensionado”, diz Horta. “Hoje, grande parte das empresas já entende a necessidade de desenvolver uma estratégia de IA bem fundamentada.”
Esta é a segunda etapa da pesquisa “IA Generativa no Brasil: O que diferencia experimentação de transformação”, que entrevistou executivos de 11 grandes companhias brasileiras: Ambev, Banco do Brasil, Banco Pan, Energisa, Generali, Grupo Fleury, Heineken, Itaú Unibanco, Mitsui Sumitomo Seguros, Serasa Experian e Vivo. A fase inicial havia ouvido 322 organizações de setores como varejo, indústria, finanças, educação e energia.






