Entrevista

EVEO prevê nova onda de demanda por infraestrutura para IA no Brasil a partir de 2027

Empresa prevê forte procura por GPUs para treinamento de modelos nos próximos 12 a 18 meses e avanço da demanda por infraestrutura para executar aplicações de IA

Tempo de leitura: 5 minutos


A demanda por infraestrutura para inteligência artificial no Brasil deve passar por uma mudança nos próximos meses, com o avanço do treinamento de modelos seguido pelo aumento da procura por recursos para executar essas tecnologias em aplicações reais. A avaliação é do diretor de receitas (CRO) da EVEO, e José Henrique Bermejo, que prevê forte demanda por GPUs para treinamento nos próximos 12 a 18 meses e, na sequência, maior procura por infraestrutura capaz de atender aos sistemas de IA em operação. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, o executivo detalha como a empresa se prepara para acompanhar esse movimento.

A EVEO encerrou o primeiro semestre com crescimento de cerca de 75% e tem como meta chegar a R$ 500 milhões em receita até 2030. Quais são hoje os principais motores que devem sustentar esse crescimento nos próximos anos?

O crescimento de 75% no primeiro semestre é resultado da combinação entre maior maturidade do mercado brasileiro em infraestrutura para IA, especialmente projetos com GPUs, e a evolução da capacidade da EVEO de atender essa demanda.

O aporte da XP, realizado em dezembro de 2025, ampliou nossa capacidade de investimento e competitividade na aquisição de infraestrutura: hoje, estamos entre as empresas que mais compram GPUs NVIDIA no Brasil, o que nos permite oferecer infraestrutura em pronta entrega em determinados projetos, um diferencial importante em um mercado em que disponibilidade e prazo são críticos.

A infraestrutura para inteligência artificial já se tornou a segunda maior linha de negócios da EVEO, com forte avanço no volume de projetos com GPUs. Que tipo de demanda a empresa está recebendo atualmente e como esse mercado deve evoluir nos próximos anos?

Hoje, uma parte importante da demanda está na infraestrutura para treinamento e inferência de modelos de IA, especialmente com GPUs. As empresas buscam capacidade computacional dedicada, mas também soberania dos dados, previsibilidade de custos e infraestrutura localizada no Brasil.

O treinamento consome mais recursos e depende menos de latência. Já na inferência, quando os modelos entram em produção, a baixa latência ganha importância. Como o Brasil ainda está alguns meses atrás dos mercados mais maduros, esperamos uma forte demanda por GPUs para treinamento nos próximos 12 a 18 meses e, na sequência, maior procura por infraestrutura próxima aos usuários para inferência.

Foto: Reprodução

A EVEO tem destacado a vantagem de oferecer clusters de GPUs já hospedados no Brasil, com ativação em semanas. Até que ponto a disponibilidade local de infraestrutura pode se tornar um diferencial competitivo diante da crescente demanda por IA no país?

A disponibilidade local pode ser um diferencial muito relevante, principalmente diante das restrições globais de oferta. Ter clusters de GPUs já hospedados no Brasil e disponíveis para ativação em poucas semanas reduz o tempo entre a contratação e o início da operação.

Além do prazo, a infraestrutura local oferece vantagens em custo, baixa latência e soberania dos dados. Em um mercado em que a demanda por GPUs cresce mais rapidamente que a oferta, combinar disponibilidade, rapidez e competitividade de custo é um diferencial importante. É justamente isso que buscamos ao antecipar parte dessa demanda e manter capacidade disponível para os clientes.

Ao mesmo tempo em que cresce a demanda por IA, a companhia observa um movimento de repatriação de workloads de nuvens públicas para ambientes de private cloud.

O que está levando as empresas a reverem suas estratégias de infraestrutura e em quais situações a private cloud tem se mostrado mais vantajosa?

O principal fator é econômico, mas não é o único. Estamos observando empresas reavaliando suas estratégias porque perceberam que nem todo workload precisa necessariamente estar em uma nuvem pública. Em determinados cenários, especialmente para workloads mais estáticos e previsíveis, a private cloud pode oferecer uma estrutura de custos mais competitiva, além de maior previsibilidade orçamentária. A economia ultrapassa 50% de desconto quando você vai para um ambiente de nuvem privada.

Também existem outros fatores importantes, como soberania e controle dos dados, baixa latência e maior previsibilidade de performance. Em um ambiente dedicado, o cliente não compartilha os recursos computacionais da mesma forma que em um ambiente público e também pode ter maior controle sobre a infraestrutura.

A EVEO vem ampliando sua infraestrutura e contratando profissionais para acompanhar o crescimento da demanda. Quais são os próximos investimentos necessários para ampliar essa capacidade e sustentar a expansão dos negócios de IA e private cloud nos próximos anos?

Um dos principais desafios de uma empresa que cresce no ritmo da EVEO é ampliar a capacidade sem comprometer a qualidade da operação e a experiência do cliente. Por isso, nosso planejamento de expansão considera não apenas o crescimento da infraestrutura, mas também todos os investimentos necessários para sustentá-lo, desde a gestão e a estrutura comercial até as equipes de relacionamento com clientes, backoffice, operações, inteligência artificial, desenvolvimento e atendimento.

Também estamos investindo em tecnologia, automação, painéis de usuário e ferramentas de autoatendimento para oferecer mais autonomia aos clientes, maior visibilidade sobre seus ambientes e mais agilidade nos processos. Garantir a qualidade em uma empresa em expansão exige o desenvolvimento de toda a estrutura, para acompanhar esse crescimento não apenas mantendo o nível de serviço, mas buscando melhorar continuamente a experiência de quem confia na EVEO.

Na frente de infraestrutura, a disponibilidade de servidores, memória, armazenamento e GPUs continua sendo um desafio importante, principalmente porque são recursos sujeitos a restrições de oferta global. Para responder a isso, temos trabalhado com planejamento antecipado de compras, estrutura financeira, cadeia de fornecedores e capacidade de montagem e entrega da infraestrutura.

O plano “10×5” prevê levar a EVEO aos R$ 500 milhões em receita até 2030. Quais são os próximos passos mais importantes dessa estratégia e que novos investimentos, produtos ou movimentos de mercado podemos esperar da companhia nos próximos meses?

A estratégia 10×5 está baseada em ampliar nossa capacidade de oferta e, ao mesmo tempo, aumentar a capilaridade da EVEO e diversificar as soluções que oferecemos ao mercado. Isso envolve investimentos contínuos em servidores, private cloud, GPUs e infraestrutura física, além da expansão da nossa presença para atender clientes com diferentes necessidades de localização e latência.

Também estamos trabalhando em novas frentes de produto. Uma delas é uma oferta de autosserviço voltada ao mercado que hoje ainda consome parte dessa infraestrutura fora do Brasil. Outra frente importante é a estratégia para o mercado enterprise: estamos estruturando ofertas que permitam às empresas que hoje utilizam ambientes baseados em VMware ou nuvens públicas migrarem seus workloads para um ambiente de private cloud da EVEO de maneira mais simples e com o menor impacto possível na operação.

Portanto, o 10×5 não é apenas uma meta de crescimento de receita. É um plano de expansão da capacidade, do portfólio e da presença da EVEO no mercado.

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