Advocacia

Forlex e OAB lançam plataforma gratuita para identificar riscos no uso de IA no Direito

OpenDetector analisa documentos e conteúdos gerados por inteligência artificial para detectar ameaças como prompt injection e reforçar a segurança na prática jurídica

Tempo de leitura: 3 minutos


A Forlex, deep tech brasileira especializada em inteligência artificial aplicada ao setor jurídico, lançou, em parceria com a OAB Nacional, o OpenDetector, plataforma gratuita desenvolvida para identificar riscos em documentos e conteúdos produzidos ou processados por ferramentas de IA. A solução representa a primeira entrega do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia (PNIAA), iniciativa voltada à adoção ética, segura e responsável da tecnologia no exercício da profissão.

Disponível gratuitamente, a ferramenta permite que advogados analisem, em poucos segundos, documentos, e-mails, mensagens e outros conteúdos utilizados em fluxos jurídicos para identificar potenciais ameaças que possam comprometer a qualidade técnica das análises ou gerar impactos profissionais e reputacionais.

“A IA já faz parte da rotina jurídica, mas seu uso responsável depende da capacidade de identificar riscos antes que eles cheguem a uma peça, parecer ou decisão estratégica. O OpenDetector nasce para funcionar como uma camada adicional de segurança, permitindo que advogados utilizem IA com mais confiança, responsabilidade e rastreabilidade antes de incorporar qualquer informação ao seu trabalho profissional”, afirma Daniel Bichuetti, co-CEO e CTO da Forlex.

O lançamento ocorre em um momento de expansão do uso da inteligência artificial em escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, onde a tecnologia já auxilia em pesquisas, elaboração de peças e análise de documentos. Ao mesmo tempo em que amplia a produtividade, a adoção dessas ferramentas também introduz novos desafios relacionados à segurança e à confiabilidade das informações.

Entre os principais riscos monitorados pela plataforma estão os ataques de prompt injection, em que instruções ocultas inseridas em documentos podem influenciar o comportamento da inteligência artificial durante a análise; tentativas de jailbreak, destinadas a contornar restrições de assistentes virtuais; e as chamadas alucinações, quando a IA produz citações, jurisprudências ou dispositivos legais inexistentes.

Nas próximas semanas, o OpenDetector também passará a oferecer um recurso específico para identificar alucinações em respostas geradas por ferramentas de IA jurídica, verificando citações falsas, referências desatualizadas e informações sem respaldo legal.

 Beto Simonetti, presidente nacional da OAB (foto: reprodução)

“A inteligência artificial já integra a rotina da advocacia e exige respostas institucionais que conciliem inovação, segurança jurídica e ética profissional. O OpenDetector é a primeira entrega do Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia e demonstra o compromisso da OAB em oferecer ferramentas que fortaleçam a atuação dos advogados e das advogadas em todo o país”, destaca Beto Simonetti, presidente nacional da OAB.

O Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia estabelece diretrizes para ampliar o acesso dos profissionais a soluções tecnológicas, estimular a inovação e orientar o uso ético e seguro da IA. A iniciativa também busca preparar a advocacia brasileira para lidar com ameaças emergentes, como os ataques de prompt injection, considerados uma das principais vulnerabilidades no uso corporativo da inteligência artificial em setores altamente regulados.

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