A inteligência artificial já faz parte da rotina de 96% dos executivos interinos brasileiros, profissionais seniores que atuam de forma independente e consultiva nas empresas. O índice supera a média global: entre os executivos ouvidos internacionalmente, 89% utilizam IA em alguma atividade. Os dados são da pesquisa 2026 Talent Lens Survey: The State of Interim Talent, da Heidrick & Struggles, realizada com apoio da Chiefs.Group no Brasil.
O levantamento ouviu 3.810 executivos independentes nas Américas e na Europa, sendo 250 no Brasil. Entre os brasileiros, apenas 4% disseram não utilizar IA em nenhuma atividade, contra 11% na média global. As principais aplicações são redação e produção de conteúdo executivo (63%), análise e processamento de dados (57%), elaboração de apresentações (55%), geração de ideias (49%) e tarefas administrativas (39%).
Projetos de curta duração
A pesquisa também mostra que 71% dos projetos realizados por executivos independentes no Brasil nos últimos 12 meses duraram até seis meses, acima dos 58% registrados globalmente. Marketing e Vendas (28%), Gestão de Pessoas e Cultura (21%), Melhoria de Performance (19%) e Serviços (14%) foram as áreas com maior demanda.
“Como o executivo independente é contratado para gerar resultado imediato, a IA se torna uma aliada natural para acelerar diagnóstico, estruturar análises e elevar o nível das entregas”, explica Cristiane Mendes, fundadora e CEO da Chiefs.Group.
Tecnologia (25%), Serviços Financeiros (18%), Varejo (14%) e Construção (10%) foram os setores que mais contrataram esses profissionais no Brasil. Varejo e Construção, em particular, têm participação maior no país do que na média global, onde representam 7% e 5% da demanda, respectivamente.
Para Guilherme Maciel, Partner da Heidrick & Struggles, a combinação entre experiência e tecnologia favorece a atuação de profissionais seniores em posições sob demanda. “Empresas estão buscando acesso rápido a competências estratégicas, especialmente em momentos de transformação. Executivos que dominam IA ampliam sua capacidade de gerar impacto em ciclos mais curtos”, afirma.
Demanda deve aumentar
Outro dado do estudo indica que 52% dos projetos brasileiros com executivos interinos ocorreram em empresas com faturamento anual de até US$ 50 milhões. Para os próximos 12 meses, 47% dos profissionais independentes do país esperam aumento na demanda por seus serviços, contra 32% globalmente.
“A tecnologia reduz barreiras de entrada, amplia produtividade e permite que executivos atuem simultaneamente em múltiplos contextos. Isso reforça o modelo independente como alternativa estratégica, tanto para as empresas quanto para a carreira de profissionais seniores”, conclui Cristiane Mendes.






