Mercado de trabalho

Maioria dos profissionais vê a IA como oportunidade, mas teme perder relevância no mercado

Pesquisa da Hashtag Treinamentos mostra que 70% enxergam a inteligência artificial como aliada da carreira, enquanto atualização contínua e competências humanas ganham peso na empregabilidade

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A inteligência artificial é vista por grande parte dos profissionais brasileiros como uma oportunidade de crescimento, mas o avanço da tecnologia também desperta preocupações sobre a necessidade de adaptação às novas exigências do mercado. É o que aponta o estudo “Relevância Profissional, Inteligência Artificial e Futuro do Trabalho”, realizado pela Hashtag Treinamentos com 5.569 participantes.

Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados consideram a IA uma oportunidade para a carreira. Outros 28,7% avaliam que a tecnologia reúne tanto benefícios quanto riscos, enquanto apenas 0,5% a enxergam predominantemente como uma ameaça aos empregos.

Apesar dessa percepção positiva, 42,9% dos participantes afirmam sentir, ao menos ocasionalmente, medo de se tornarem profissionalmente irrelevantes. Além disso, 30,6% acreditam que seus cargos podem desaparecer ou perder relevância no futuro. Para a pesquisa, essa preocupação está mais relacionada à necessidade de acompanhar a evolução das competências exigidas pelo mercado do que à substituição direta dos trabalhadores pela tecnologia.

O levantamento foi realizado em março de 2026 por meio de um questionário online aplicado à base de relacionamento da Hashtag Treinamentos, formada por alunos, ex-alunos e profissionais interessados em qualificação. Entre os participantes, 83,6% estão ativos no mercado de trabalho e 76,6% possuem ensino superior completo ou formação acima desse nível.

“A tecnologia tende a mudar o valor de determinadas tarefas, mas isso não significa que o trabalho humano desapareça na mesma proporção. O ponto é que algumas competências passam a valer mais do que outras. Quem entende esse movimento consegue usar a IA como ferramenta de ampliação da própria capacidade, e não apenas como ameaça”, afirma João Paulo Martins, sócio-fundador da Hashtag Treinamentos.

A pesquisa também identificou as competências consideradas mais importantes para enfrentar a automação. O pensamento crítico lidera a lista, citado por 66,1% dos entrevistados, seguido pela capacidade de aprendizado contínuo (57,7%), raciocínio lógico (52%) e criatividade (45,1%). Comunicação, inteligência emocional e relacionamento interpessoal também aparecem entre as habilidades mais valorizadas.

Já entre as competências técnicas que ganharam importância com a disseminação da IA, destacam-se o domínio de ferramentas digitais (69,1%), pensamento analítico (61,3%) e análise de dados (53,3%). Segundo o estudo, a combinação entre habilidades tecnológicas e competências humanas tende a se tornar um dos principais fatores de empregabilidade.

O levantamento mostra ainda que muitos profissionais já estão buscando se preparar para esse novo cenário. Entre os entrevistados, 41% afirmam estar realizando cursos ou estudando para se atualizar, enquanto 22% estão experimentando ferramentas de inteligência artificial e 14% investem no desenvolvimento de novas habilidades técnicas.

“A pergunta deixa de ser apenas se a IA vai substituir empregos e passa a ser quem conseguirá continuar relevante em um mercado mediado por IA. O diferencial tende a estar na capacidade de combinar aprendizado contínuo, repertório, domínio de ferramentas digitais, pensamento crítico, adaptação e habilidades humanas difíceis de automatizar”, conclui João Paulo Martins.

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