Cibersegurança

Brasil registra média de 4 mil ataques cibernéticos semanais por organização, aponta estudo

Levantamento da Check Point também alerta para o aumento dos riscos de exposição de dados com o uso corporativo de IA generativa

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As organizações brasileiras registraram uma média de 4.001 ataques cibernéticos por semana em junho de 2026, um aumento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte do relatório mensal de inteligência de ameaças da Check Point Research (CPR), unidade de pesquisa da Check Point Software.

O número coloca o Brasil acima da média global, que foi de 2.270 ataques semanais por organização, representando crescimento de 10% frente a maio e de 17% na comparação anual. No país, o setor governamental permaneceu como o principal alvo dos criminosos virtuais, seguido pelos segmentos de Bens e Serviços de Consumo e de Energia e Serviços Públicos.

Segundo Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research, os grupos criminosos seguem ampliando sua atuação em diferentes regiões e setores, enquanto operadores de ransomware ganham escala rapidamente. Para ele, esse cenário reforça a necessidade de estratégias preventivas de segurança baseadas em inteligência artificial, capazes de proteger redes, usuários, dados e fluxos de trabalho antes que os ataques causem prejuízos.

O estudo também destaca que o uso corporativo de ferramentas de IA generativa continua representando um importante vetor de exposição de informações. Em junho, um em cada 26 prompts enviados a essas plataformas por meio de redes empresariais foi classificado como de alto risco para vazamento de dados, equivalente a 3,9% do total.

A pesquisa identificou atividades de alto risco em 85% das organizações que utilizam regularmente soluções de IA generativa. Além disso, 27% dos prompts continham informações potencialmente sensíveis. Em média, cada empresa utilizou sete ferramentas diferentes de IA generativa durante o mês, enquanto cada usuário realizou 78 interações, evidenciando a incorporação dessas aplicações às rotinas de trabalho.

De acordo com a Check Point Research, o principal problema não está na tecnologia em si nem no uso da IA por criminosos, mas no conteúdo inserido pelos próprios usuários. Informações como cadastros de clientes, documentos internos, dados de infraestrutura, registros financeiros, documentos jurídicos e informações de recursos humanos continuam sendo compartilhadas em plataformas públicas ou sem mecanismos adequados de governança.

Na comparação entre regiões, a América Latina apresentou o maior índice de exposição relacionado ao uso de IA generativa, com 5,2% dos prompts considerados de alto risco, acima da média global de 3,9%. Europa ficou exatamente na média mundial, enquanto América do Norte e Ásia-Pacífico registraram índices de 3,6% e 3,5%, respectivamente.

Entre os segmentos econômicos, o setor de Saúde liderou o ranking de exposição, com 5,7% dos prompts classificados como de alto risco. Na sequência aparecem Telecomunicações e Serviços Empresariais, ambos com 5,1%, e Tecnologia da Informação, com 4,1%.

Os dados pessoais foram o tipo de informação sensível mais frequentemente identificado, presentes em 80% das organizações afetadas. Em seguida aparecem informações de redes e infraestrutura (62%), documentos legais e regulatórios (61%), dados financeiros (60%) e registros de funcionários (57%).

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