A demanda nos Estados Unidos por profissionais do mercado de tecnologia está em alta, criando oportunidades para profissionais e empresas brasileiras. Essa é a avaliação da sócia do escritório Canero Fadul Reis Law, Maria Eduarda Reis. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, a advogada de imigração diz que esse cenário representa uma oportunidade para expansão internacional de empresas brasileiras, mesmo com as políticas mais restritivas do governo de Donald Trump.
Maria Eduarda afirma que o sistema americano permanece aberto a profissionais qualificados, principalmente nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). “Para o profissional ou empresário brasileiro, o segredo está em planejar estrategicamente a imigração, alinhar a trajetória e os objetivos de negócio às demandas do mercado americano e buscar orientação jurídica especializada desde o início”, afirmou.
Quais são hoje as principais oportunidades para profissionais brasileiros /empresas brasileiras que atuam em tecnologia e inovação?
O mercado norte-americano vive um momento de forte abertura para talentos e empresas que tragam soluções inovadoras em áreas como inteligência artificial, fintech, cibersegurança, biotecnologia e sustentabilidade. O ecossistema dos Estados Unidos valoriza a capacidade de inovação, a criatividade e a resiliência — características marcantes dos profissionais brasileiros.
Além disso, há uma demanda crescente por engenheiros de software, cientistas de dados e especialistas em machine learning, com destaque para polos como Silicon Valley, Austin, Miami e Boston, que se consolidaram como centros de inovação global.
Para empresas brasileiras, esse cenário representa uma excelente oportunidade de expansão internacional, parcerias estratégicas e captação de investimento. Estruturar corretamente a presença jurídica, societária e tributária desde o início é essencial para transmitir credibilidade e sustentabilidade de longo prazo perante investidores e órgãos regulatórios.
Muitos profissionais da área de IA e startups têm dúvidas sobre qual é o melhor caminho para se estabelecer legalmente nos EUA. Quais tipos de visto costumam ser mais indicados para quem trabalha com tecnologia?
Os vistos mais utilizados por profissionais da área de tecnologia incluem:
H-1B – voltado a profissionais altamente qualificados contratados por empresas norte-americanas;
O-1 – ideal para indivíduos com habilidade extraordinária ou trajetória de destaque em seu campo, como especialistas em IA, fundadores de startups e pesquisadores reconhecidos;
L-1 – excelente opção para executivos e empreendedores que já possuem uma empresa no Brasil e desejam abrir ou transferir operações para os EUA;
EB-2 NIW (National Interest Waiver) – categoria de green card que dispensa oferta de emprego quando o profissional comprova que sua atuação é de interesse nacional para os Estados Unidos, amplamente utilizada por profissionais de tecnologia, pesquisadores e fundadores de startups inovadoras.
Cada caso exige uma análise estratégica e individualizada: o perfil profissional, o histórico de liderança, as publicações, os resultados obtidos e o impacto do trabalho são determinantes para definir o melhor caminho imigratório.

Há programas ou incentivos específicos do governo norte-americano voltados para atrair talentos estrangeiros em áreas estratégicas, como ciência de dados e automação?
Nos últimos anos, o governo norte-americano vem implementando políticas voltadas à atração e retenção de talentos internacionais em setores considerados estratégicos, especialmente em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).
Além das iniciativas federais, existem diversos programas privados e estaduais — incluindo aceleradoras, incubadoras e fundos de investimento — que facilitam a entrada e o crescimento de startups fundadas por estrangeiros. Estados como Texas, Flórida e Califórnia se destacam por oferecer incentivos fiscais, acesso a capital e apoio institucional para empresas de base tecnológica.
O governo Trump está impondo regras mais duras em relação à imigração. Como está o processo imigratório para o país nesse novo cenário?
É verdade que durante períodos de políticas migratórias mais restritivas, como ocorreu no governo Trump, houve um endurecimento na análise de vistos baseados em emprego e mérito. No entanto, o sistema americano permanece aberto a profissionais qualificados, principalmente nas áreas de STEM.
O que mudou foi o nível de exigência documental: hoje, é imprescindível apresentar um caso bem estruturado, com provas sólidas de experiência, reconhecimento e relevância profissional. Um planejamento jurídico cuidadoso e uma narrativa consistente são fatores-chave para o sucesso do processo.
Pensando nas tendências dos próximos anos, como você enxerga o cenário para empreendedores e profissionais brasileiros que querem atuar no ecossistema de inovação dos Estados Unidos?
Os próximos anos devem consolidar o protagonismo de profissionais com perfil empreendedor e interdisciplinar, capazes de integrar tecnologia, inovação e impacto social. Os Estados Unidos continuarão sendo o maior polo global de startups, com ênfase em inteligência artificial, sustentabilidade e transformação digital.
Para o profissional ou empresário brasileiro, o segredo está em planejar estrategicamente a imigração, alinhar a trajetória e os objetivos de negócio às demandas do mercado americano e buscar orientação jurídica especializada desde o início.
Com preparo e posicionamento adequados, as oportunidades são imensas — tanto para quem busca uma carreira sólida e global quanto para quem deseja expandir um negócio inovador no mercado norte-americano.






