Entrevista exclusiva

Loopia projeta quadruplicar sua receita com lançamentos e aposta em agentes de IA no chat commerce

CEO e cofundador da empresa afirma que crescimento em 2025 foi impulsionado pela demanda por atendimento imediato e detalha estratégia com novos produtos e expansão de canais em 2026

Tempo de leitura: 6 minutos


A demanda por respostas rápidas no comércio digital tem impulsionado empresas a adotarem soluções automatizadas e agentes de IA para atendimento. Surfando essa onda, a Loopia projeta quadruplicar sua receita em 2026 após registrar crescimento de 25 vezes no último ano. Segundo o CEO e cofundador da companhia, Tiago Vailati, a estratégia combina o uso de agentes de inteligência artificial ao longo de toda a jornada do cliente com o lançamento de novas ferramentas e a ampliação das integrações da plataforma.


Poderia relembrar aos leitores como surgiu a Loopia e qual lacuna no mercado de vendas digitais a empresa busca preencher?

Comecei no varejo aos 15 anos, como atendente de caixa na Havan. De lá pra cá, passei por quase todas as facetas do setor, como marketing, tecnologia e gestão. Fundei a Hiper, que cresceu para atender mais de 22 mil lojas e foi vendida para a Linx em 2019. Depois de um período sabático, voltei com um olhar diferente: dessa vez, mirando o varejo digital.

O que eu vi foi um problema enorme sendo ignorado. O e-commerce se tornou multicanal, imediato e 24 horas. Mas as ferramentas disponíveis ainda tratam o atendimento como centro de custo, não como motor de vendas. O vendedor digital está no Mercado Livre, na Shopee, no WhatsApp, no Instagram, tudo ao mesmo tempo, sem conseguir responder todo mundo com qualidade. E aí a conta é simples: quem demora para responder perde a venda. Cerca de 40% das compras no e-commerce acontecem entre 18h e 23h, fora do horário comercial de qualquer equipe.

A Loopia nasceu para resolver isso. A empresa centralizou todos os canais em uma única plataforma e colocou Agentes de IA para atuarem em toda a jornada — do pré-venda ao pós-venda, de forma proativa. Não é apenas mais um SAC, mas sim uma venda conversacional com inteligência.

Foto: Freepik

Na prática, como funcionam os agentes de IA dentro da proposta de chat commerce da empresa?

A lógica é simples: o consumidor chegou, a conversa precisa acontecer, e ela precisa acontecer agora, não quando o atendente humano estiver disponível. Nossos Agentes de IA entendem o contexto da mensagem, identificam a intenção do cliente e respondem em menos de 30 segundos, a qualquer hora do dia.

Eles são treinados para as demandas específicas do varejo digital: rastreamento de pedido, dúvidas sobre produto, compatibilidade, disponibilidade de estoque, assistência à compra e muito mais. Cada agente é especialista em uma função diferente e todos sabem o momento exato de escalar para um atendente humano, quando a situação exige esse toque.

O motor por trás de tudo isso são nossos agentes proprietários. Ao invés de entregar para a empresa uma plataforma para ela construir agentes de IA, a Loopia oferece via plataforma vários agentes de IA que sabem trabalhar dentro de um vasto ecossistema de canais de e-commerce. Esses agentes que garantem que a resposta seja rápida, precisa e, acima de tudo, humanizada. Não é chatbot que fica dando voltas sem resolver nada. É uma IA que entende, responde e fecha venda como um bom vendedor faria.

Ǫue tipo de resultados as empresas têm conseguido ao adotar esse modelo, especialmente em comparação com canais tradicionais de venda?

Em média, nossos clientes registram um aumento de 50% na taxa de conversão de atendimentos em vendas, com dezenas de casos onde o aumento da taxa de conversão supera 300%, ou seja, sem uso da IA a taxa de conversão de atendimento em vendas era de 6% e após implementar a Loopia, essa taxa chega a 24%. Mais de 92% das interações são resolvidas de forma autônoma pela IA. E o tempo médio de resposta cai de horas (ou dias, em alguns casos) para menos de 30 segundos.

Tem um case que gosto muito de citar porque é muito concreto: a Meu Rodapé. Eles vendiam cerca de R$40 mil por mês com atendimento humano em um dos marketplaces. Nos primeiros meses com a Loopia, chegaram a R$120 mil. Triplicaram o faturamento não porque mudaram o produto ou o preço, mas porque pararam de perder vendas por falta de resposta.

O que muda na prática é a régua de comparação. Canais tradicionais de atendimento são reativos e limitados por horário e capacidade humana. O atendimento com agentes de IA é proativo, escalável e funciona de segunda a domingo, sem interrupção. Velocidade e experiência passaram a superar o preço como fator decisivo para o consumidor.

Foto: prostooleh/Freepik

Como o avanço da inteligência artificial deve transformar o relacionamento entre marcas e consumidores nos próximos anos?

A relação entre marca e consumidor vai se tornar cada vez mais conversacional e personalizada. O modelo de jornada linear — anúncio, site, carrinho, checkout — já está se fragmentando. As pessoas querem resolver no WhatsApp, no TikTok Shop, no Mercado Livre, onde a conversa naturalmente acontece. E elas querem isso agora, de forma contextual, sem ter que repetir informação.

O que a IA torna possível é escalar essa personalização. Não dá para ter um vendedor excelente para cada cliente, mas dá para ter um Agente de IA que se comporta como um e que fica mais inteligente com o tempo, aprendendo com cada interação.

Nos próximos anos, eu acredito que vamos ver os agentes atuando de forma ainda mais autônoma: gerando pedidos, conduzindo pós-venda, oferecendo produtos complementares, antecipando necessidades.

A marca que souber usar essa camada de inteligência para criar uma experiência consistente e ágil vai construir uma relação de confiança muito mais forte com o consumidor. Quem ficar parado vai simplesmente desaparecer no ruído.

Tiago Vailati e Anderson Fantini, sócios na Loopia. (Foto: Divulgação)

Por fim, pode revelar as próximas novidades e projeções de crescimento/investimento da Loopia?

2025 foi um ano de validação brutal, no bom sentido. Saímos de um faturamento de 4 dígitos para 6 dígitos mensais, um crescimento de 25x no MRR (Receita Recorrente Mensal). Centenas de clientes ativos, casos de sucesso em segmentos completamente diferentes — móveis, autopeças, moda, eletrônicos, pet — e uma retenção de 99% da base. Isso pra mim é o sinal mais importante: o produto funciona, os clientes ficam.

Para 2026, a projeção é de crescer pelo menos 4x no MRR e dobrar a base de clientes. Mas além dos números, o que mais me anima é o que está vindo em produto.

Primeiro, estamos expandindo nossas integrações para 14 canais — entre marketplaces, redes sociais e ferramentas de e-commerce. O varejista digital está cada vez mais pulverizado, e queremos garantir que a Loopia cubra todos os pontos de contato onde o cliente aparece.

Segundo, estamos lançando o Disparador: uma ferramenta que permite ao lojista criar e enviar campanhas de marketing via WhatsApp de forma segmentada, aproveitando datas sazonais e o CRM do próprio cliente. É trazer a lógica do e-mail marketing — mas para o canal com maior taxa de abertura do mundo.

E o lançamento mais aguardado é o Próxima Venda. A grande dor do varejista que opera em marketplaces é que ele vende, mas o cliente continua sendo “do marketplace”, não dele. O Próxima Venda muda isso: ele permite que o lojista estenda o relacionamento para fora do marketplace, trazendo o cliente que comprou lá para um contato direto via WhatsApp. É transformar uma transação em um relacionamento, e relacionamento vira recorrência, vira fidelidade, vira crescimento de verdade.

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