Entrevista

Magno Tech aposta em automação inteligente e visão computacional para ampliar eficiência operacional

Empresa desenvolve soluções que automatizam processos, monitoram operações em tempo real e utilizam inteligência de dados para antecipar demandas e reduzir desperdícios

Tempo de leitura: 5 minutos


Criada com foco em resolver gargalos de gestão por meio da combinação entre tecnologia, dados e automação, a Magno Tech vem ampliando sua atuação em diferentes setores da economia. A empresa desenvolveu o Smart Office, plataforma que automatiza processos administrativos e operacionais, e também investe em soluções de visão computacional e análise preditiva aplicadas à indústria, agronegócio, varejo e saúde. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, o CEO da companhia, Mateus Magno, detalhou os avanços da empresa e os planos para lançar novos agentes de gestão automatizada em 2026.


Como se dá a atuação da Magno Tech? Como a empresa surgiu?

Mateus Magno: Minha trajetória foi construída na carreira executiva. Comecei como desenvolvedor e cheguei ao cargo de CEO, com participações em conselhos de administração. Passei por todas as etapas da gestão, desde o gerenciamento de projetos até as áreas de vendas e marketing, além de abrir regionais e atuar no setor financeiro. Ao fundar a Magno Tech, meu diagnóstico era de que havia uma ineficiência generalizada nas empresas. Percebi que, ao combinar dados, tecnologia e inteligência de forma estratégica, é possível resolver gargalos de gestão, entregando eficiência operacional e crescimento real.

Assim criamos o Smart Office, um escritório digital que integra do marketing ao financeiro, automatizando processos repetitivos. Vimos nisso uma oportunidade de ajudar o mercado brasileiro, especialmente em um período em que batemos recordes de empresas em recuperação judicial. O Smart Office surge para ser o copiloto do empresário e do gestor, entregando velocidade, automação e eficiência onde antes havia baixa oportunidade de execução. 

Quais têm sido os principais desafios enfrentados pelas empresas hoje em termos de eficiência? 

Mateus Magno: O desafio central hoje é, efetivamente, ganhar eficiência. Durante muito tempo, a convenção para crescer era contratar mais pessoas. No entanto, era necessário inserir esses profissionais em trilhas de treinamento e, muitas vezes, eles não se adaptavam à cultura ou ao cenário da empresa. Com as mudanças tecnológicas aceleradas, esse problema se amplificou. O grande desafio atual é colocar a pessoa certa, no lugar certo, com a ferramenta correta.

Nós enxergamos que é possível amplificar o conhecimento de cada área através de motores de IA. Ou seja, se antes a única maneira de aumentar a eficiência era buscando no mercado alguém que já tivesse feito aquilo em outro lugar, agora podemos pegar o time que já está na casa e municiá-lo com inteligência operacional. Revisitamos os processos, integramos os dados existentes e colocamos tudo em uma plataforma funcional. O resultado é que se faz mais, de forma mais rápida, com a mesma equipe. É uma quebra de paradigma que estamos vivenciando agora.

Foto: DC Studio/Magnific

Gostaria que o senhor detalhasse as aplicações do Smart Office e o perfil das empresas que têm adotado essa solução.

Mateus Magno: Lançamos o Smart Office em 2025 e, desde então, o faturamento da vertical cresceu quase 19 vezes — um aumento de 1.772%. Esse salto revela uma demanda reprimida por eficiência operacional inteligente. Já impactamos grandes organizações como Algar Telecom, Red Bull, Accenture, OdontoCompany, SmartFit e Ford, além de empresas dos setores de educação e construção civil. O foco aqui é transformar processos repetitivos em fluxos automáticos, garantindo que o gestor tenha um controle muito mais preciso da operação.

Além do Smart Office, quais outras frentes tecnológicas a Magno Tech tem explorado para gerar eficiência em setores como a indústria e a saúde?

Mateus Magno: Temos avançado muito em visão computacional e análise preditiva. Na indústria, instalamos parâmetros de engenharia em câmeras inteligentes que monitoram esteiras de produção em tempo real, prevendo demanda e desperdício. No agronegócio, essa tecnologia automatiza a contagem e a classificação de qualidade de frutas como laranja e banana, reduzindo perdas na colheita. Já no varejo, utilizamos a visão computacional para o abastecimento de gôndolas, alertando o promotor antes que o produto acabe.

Outro destaque é nossa atuação na área médica com a análise preditiva de infartos. Cruzamos dados de exames e planos de saúde para identificar pacientes de risco antes mesmo de apresentarem sintomas. Assim, o hospital pode agir preventivamente, inserindo o indivíduo em programas de monitoramento de sono e alimentação. São soluções customizadas que utilizam a inteligência de dados para antecipar problemas e otimizar recursos críticos.

Foto: Pressfoto/Magnific

Além dessas frentes em que vocês já atuam, quais são as novidades previstas para o mercado?

Mateus Magno: Para este ano de 2026, estamos apostando fortemente no que chamamos de “Orquestrador”. Assim como uma empresa possui uma camada de gestão sênior que lidera, capacita e gerencia diversos times, estamos construindo orquestradores dentro do Smart Office. Eles são agentes gestores capazes de monitorar as metas orçadas versus as realizadas, analisando processo por processo. Caso um fluxo não esteja caminhando para gerar o resultado esperado, o orquestrador corrige a rota automaticamente.

Isso é um avanço fundamental porque, hoje, muitas pessoas interagem com a IA e recebem informações, mas nem sempre sabem se aquele dado é correto ou confiável. O orquestrador tem a capacidade de validar se a informação é compatível e segura, ajustando o processo conforme as necessidades da empresa. É uma novidade que trará muito mais eficiência e assertividade tanto na automação de tarefas repetitivas quanto na amplificação da inteligência humana.

Mudando um pouco o foco para o cenário macro, como você avalia o momento do setor de Inteligência Artificial no Brasil? 

Mateus Magno: O Brasil está atravessando um momento de inflexão importante: estamos saindo da fase de curiosidade e entrando na fase de implementação com retorno real. O foco agora é menos sobre “usar para aprender” e mais sobre “usar para capturar resultados”. Entretanto, noto que a governança ainda está ficando um pouco para trás. Estamos muito entusiasmados com os ganhos, mas precisamos olhar com urgência para a segurança dos dados e para o tipo de licença que empresas e indivíduos estão contratando. Muitas vezes, dados sensíveis acabam expostos, e nunca houve tantos ataques cibernéticos como nos últimos tempos. A gestão ética e segura dos dados é um ponto de atenção vital para o país.

Por outro lado, o potencial criativo do brasileiro é imenso. A Magno Tech foi reconhecida como uma das dez empresas mais inovadoras em IA pelo AI Brasil no ano passado e, este ano, figuramos no Top 5% global de inovação e crescimento pelo Web Summit. Isso acontece porque o brasileiro tem a habilidade de resolver problemas com os recursos que possui, e agora a tecnologia nos permite fazer isso com segurança e escala. Acredito que vivemos o momento ideal para as pequenas empresas desafiarem as grandes. Com ferramentas de IA, é possível criar diferenciais competitivos em dias e novos modelos de negócio em minutos. Com o avanço do letramento digital, veremos o surgimento de novos mercados e receitas, com o Brasil participando de maneira muito mais ativa e protagonista daqui para frente.

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