IA no Brasil

IA generativa já faz parte da rotina de 32% dos usuários de internet no Brasil

Levantamento do CGI.br mostra adoção concentrada entre usuários de maior renda e escolaridade e reforça desafios de inclusão digital

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A inteligência artificial generativa já é utilizada por 32% dos usuários de internet no Brasil, o equivalente a cerca de 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais. Os dados constam da pesquisa TIC Domicílios 2025, divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Cetic.br, núcleo do NIC.br.

Segundo o levantamento, o uso dessas ferramentas é significativamente mais elevado entre os grupos com maior renda e escolaridade. Na classe A, 69% dos usuários afirmaram ter utilizado IA generativa, enquanto nas classes D e E o percentual cai para 16%. A diferença também aparece no recorte educacional: 59% das pessoas com Ensino Superior recorreram à tecnologia, frente a 17% entre aquelas com Ensino Fundamental.

Além de trazer, pela primeira vez, dados sobre o uso de IA generativa, a edição de 2025 da pesquisa apresenta indicadores inéditos sobre apostas online e sobre restrições ao uso da internet causadas por limitações nos pacotes de dados móveis. O estudo também aponta avanço da conectividade nos domicílios brasileiros: 86% têm acesso à internet, três pontos percentuais a mais que em 2024. A proporção de residências com banda larga fixa subiu de 71% para 76% no mesmo período, embora persistam desafios relacionados à inclusão digital.

“A TIC Domicílios 2025 destaca novos indicadores sobre a adoção de Inteligência Artificial generativa entre os usuários de Internet brasileiros. À medida que a IA ganha relevância em diferentes esferas da vida cotidiana, a desigualdade na apropriação dessa ferramenta entre os diferentes estratos de renda e escolaridade torna-se um elemento que chama a atenção”, afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

Entre os usuários que recorreram à IA, a principal finalidade declarada foi o uso para fins pessoais, citada por 84% dos respondentes. Na área educacional, o impacto também é relevante: 86% dos estudantes de escolas ou universidades afirmaram ter utilizado IA para realizar pesquisas ou trabalhos acadêmicos.

Já entre aqueles que não utilizaram ferramentas de IA generativa, a falta de habilidade aparece como um dos principais motivos, especialmente entre usuários com até o Ensino Fundamental, grupo no qual esse fator foi citado por 65% dos entrevistados. O dado reforça a desigualdade no acesso e no uso de tecnologias digitais.

“A expansão da IA generativa evidencia os desafios da inclusão digital no Brasil. O acesso à tecnologia não basta se a conectividade for limitada, ou faltarem habilidades digitais. Esse cenário indica que os benefícios da IA, como ganhos de produtividade e novas formas de aprendizado, podem continuar concentrados nos grupos que, historicamente, já possuem mais oportunidades”, analisa Fabio Storino, coordenador da pesquisa TIC Domicílios.

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