A Draiven, startup de inteligência artificial voltada à análise de dados para apoio à tomada de decisão, anunciou o lançamento do Liquid Interfaces, um protocolo open source desenvolvido para permitir que agentes de IA negociem e executem ações diretamente entre sistemas, sem a necessidade de integrações fixas ou contratos técnicos permanentes.
A empresa já realizou testes com o modelo em um fluxo experimental no qual uma IA identifica uma demanda operacional, localiza outro agente capaz de executá-la, negocia os termos da ação e conclui a tarefa de forma automatizada. Após a execução, a conexão entre os sistemas é encerrada.
A proposta busca enfrentar um dos desafios atuais no uso de agentes autônomos em ambientes corporativos: a falta de padrões para coordenação entre diferentes sistemas de inteligência artificial. “Hoje as IAs já conseguem interpretar dados, planejar e executar tarefas, mas ainda enfrentam dificuldades para coordenar ações entre si. O Liquid Interfaces foi criado para permitir que esses agentes alinhem intenções e negociem tarefas em tempo real”, afirma Dhiogo Corrêa, CTO da Draiven.
O modelo difere das integrações tradicionais baseadas em APIs, que exigem conexões contínuas e contratos técnicos definidos previamente. No Liquid Interfaces, as interfaces são criadas sob demanda, apenas durante a execução de uma tarefa específica. O processo envolve etapas como definição da intenção, identificação de agentes aptos a executar a ação, negociação das condições e realização da tarefa. Ao final, a conexão é desfeita.
Segundo a empresa, essa abordagem permite que agentes realizem operações completas de forma mais flexível, conectando sistemas distintos apenas no momento necessário e reduzindo a dependência de integrações permanentes.
Outro elemento do protocolo é o mecanismo de governança chamado Intent-Based Access Control (IBAC), no qual as permissões são avaliadas com base na intenção da ação solicitada, e não em acessos previamente concedidos. “Em vez de conceder acessos permanentes, o sistema avalia se aquela ação específica faz sentido dentro das regras definidas. Quando a tarefa termina, a permissão também deixa de existir”, explica Corrêa.
De acordo com a Draiven, o modelo pode contribuir para reduzir riscos de segurança e facilitar a auditoria de operações realizadas por agentes autônomos, especialmente em ambientes corporativos.
O protocolo será disponibilizado como projeto open source, com o objetivo de incentivar a participação da comunidade técnica e ampliar sua adoção. A iniciativa inclui o Liquid Interfaces Protocol, com as especificações do modelo, e o Semantic Bus, uma implementação voltada à coordenação entre múltiplos agentes.
“Queremos que o Liquid Interfaces evolua como um esforço coletivo. A ideia é abrir o desenvolvimento para a comunidade e trabalhar para que esse protocolo se consolide como um padrão de coordenação entre sistemas agênticos”, conclui o executivo.






