Nem só de tecnologia e pompa vive o Vale do Silício. A derrota de Elon Musk nesta segunda-feira (18) em um processo judicial contra a OpenAI parece ser apenas mais um capítulo em uma disputa que está longe de acabar. A rusga é profunda entre o bilionário sul-africano e a empresa criadora do ChatGPT. Tanto é que a OpenAI não poupa palavras e classifica abertamente as investidas de Musk como fruto de “inveja” e “sabotagem”.
“Motivado por inveja, arrependimento por ter deixado a OpenAI e pelo desejo de sabotar uma empresa concorrente de IA, Elon passou anos assediando a OpenAI com processos infundados e ataques públicos”, diz a OpenAI em uma página dentro de seu portal oficial.
No texto, a empresa cita ainda que jornalistas “relataram a existência de uma campanha difamatória liderada por Elon e seus intermediários”. A companhia alega também que “há evidências de que Elon teria se coordenado com Mark Zuckerberg [fundador da Meta, dona do Facebook e Instagram] em repetidas tentativas de minar a missão da OpenAI”.
Na decisão desta segunda-feira, após 11 dias de julgamento, um júri popular decidiu que a OpenAI não pode ser responsabilizada pelas acusações de Musk de ter priorizado o lucro e deixado de focar o desenvolvimento da IA para o benefício da humanidade.
O bilionário sulafricano acusava a OpenAI de tentar enriquecer investidores e pessoas ligadas à organização às custas da missão original da empresa, além de não dar prioridade à segurança da inteligência artificial.
Elon Musk afirmou que pretende recorrer da decisão, reiterando sua alegação de que Sam Altman e Greg Brockman utilizaram a OpenAI como meio para enriquecimento pessoal.
“Não há dúvida para ninguém que acompanha o caso em detalhes de que Altman e Brockman, de fato, enriqueceram a si mesmos ao roubar uma instituição de caridade. A única questão é QUANDO eles fizeram isso”, escreveu Musk em seu perfil no X. “Vou entrar com um recurso no Nono Circuito, porque criar um precedente para saquear instituições de caridade é incrivelmente destrutivo para as doações de caridade na América”, acrescentou.
Do outro lado, a OpenAI afirmou que fez um acordo com Musk, em 2017, prevendo que uma entidade com fins lucrativos precisaria fazer parte da próxima fase da empresa, diante da necessidade de captar grandes volumes de recursos para sustentar sua missão.
“Elon, porém, exigiu controle total da OpenAI e chegou a querer fundi-la com a Tesla (mais tarde, ele fundiria sua empresa de IA com fins lucrativos, a xAI, com a SpaceX). Quando não aceitamos seus termos, ele foi embora e nos disse que tínhamos ‘0% de chance’ de sucesso. Mas ele estava errado — e, ressentido, Elon tem atacado a OpenAI desde então”, declarou a companhia.
A OpenAI afirma ainda que Musk doou US$ 38 milhões para a organização sem fins lucrativos da empresa, valor que, segundo a companhia, foi utilizado conforme a missão original da instituição. A empresa argumenta que, apesar de ter reivindicado dedução fiscal pela doação, Musk agora tenta tratá-la judicialmente como um investimento que lhe daria direito a uma participação relevante na OpenAI.






