A Fundação Unimed, mantenedora da Faculdade Unimed, e a WorkAI desenvolveram o projeto “ExtensIA”, iniciativa em fase beta que utiliza inteligência artificial, rastreamento ocular e avatares digitais para ampliar a autonomia profissional de pessoas com limitações motoras severas.
O projeto foi criado para atender pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete progressivamente os movimentos do corpo, mas preserva as funções cognitivas.
O primeiro caso piloto do “ExtensIA” é a psiquiatra Maria Inês Quintana, especialista em transtorno de personalidade borderline, professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde Mental da Faculdade Unimed.
Diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica há três anos, a médica passou a utilizar tecnologias assistivas baseadas em rastreamento ocular após a progressão da doença e a perda dos movimentos.
Segundo as organizações envolvidas, o projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 5 milhões e busca ampliar o acesso a tecnologias assistivas voltadas a pessoas com limitações motoras severas e preservação das capacidades cognitivas.
“A tecnologia devolveu a possibilidade de continuar ensinando, compartilhando conhecimento e participando da vida acadêmica. Hoje consigo me comunicar novamente e manter atividades profissionais mesmo diante das limitações físicas. Posso afirmar que a inteligência artificial salvou minha vida”, afirmou Maria Inês Quintana.
O “ExtensIA” foi estruturado em três frentes principais. A primeira consiste em um agente clínico treinado com o acervo intelectual e científico da psiquiatra, voltado ao apoio de profissionais de saúde no diagnóstico e manejo do transtorno de personalidade borderline.
A segunda frente envolve um avatar digital capaz de reproduzir aulas e palestras em diferentes idiomas, além de um sistema multiagente direcionado ao suporte acadêmico e educacional.
Já a terceira etapa prevê integração da ferramenta aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed, utilizando agentes de IA para atividades como organização de grades curriculares, análise de ementas e apoio à gestão acadêmica.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a supervisão e validação final dos conteúdos continuarão sob responsabilidade da médica, preservando o controle intelectual e decisório sobre as atividades realizadas pela plataforma.
“No caso da Dra. Maria Inês, a tecnologia foi desenvolvida para garantir que limitações físicas não interrompam trajetórias profissionais construídas ao longo de décadas. O ExtensIA integra inteligência artificial e recursos assistivos para ampliar autonomia e permitir que profissionais continuem atuando, ensinando, pesquisando e compartilhando conhecimento mesmo diante do avanço de doenças neurodegenerativas”, afirmou Eduardo Barros, CEO da WorkAI.
Como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), a Fundação Unimed, por meio da Faculdade Unimed, é responsável pela coordenação científica e institucional do projeto.
“O ExtensIA integra ciência, tecnologia, mas, principalmente, o cuidado com as pessoas. A iniciativa apresenta uma nova forma de compreender, preservar e compartilhar o conhecimento humano, mesmo diante das limitações impostas por doenças irreversíveis. Queremos que esse estudo possa mudar a realidade não apenas da Dra. Maria Inês, mas de tantas outras pessoas do país e do mundo”, afirmou Fábio Gastal, diretor acadêmico da Faculdade Unimed.
De acordo com os organizadores, a tecnologia poderá ser aplicada futuramente a profissionais de áreas como medicina, direito, educação, pesquisa e gestão que possuam limitações motoras severas, mas mantenham capacidades cognitivas preservadas.
O projeto conta com patrocínio da Seguros Unimed, Unimed Campinas e Unimed-BH, e deve passar por expansão gradual nos próximos meses. Segundo os responsáveis, o objetivo é consolidar o uso da inteligência artificial assistiva como ferramenta de inclusão, autonomia e preservação do conhecimento especializado.






