A Galileo Financial Technologies, companhia americana de infraestrutura bancária, planeja ampliar sua atuação no Brasil com a expansão da base de clientes e o lançamento de soluções voltadas ao processamento e à emissão de cartões. Segundo Abdul Assal, head de negócios no Brasil e na Colômbia, a IA está integrada às operações, desde a prevenção a fraudes até o desenvolvimento de sistemas, e deve sustentar a estratégia de crescimento no país — que hoje já é o principal mercado da companhia na América Latina. Para os próximos anos, o executivo projeta que o Brasil pode se tornar o segundo maior mercado global da Galileo.
Quais são as principais atividades da Galileo no Brasil envolvendo IA?
A Galileo é uma empresa americana de infraestrutura bancária, com 26 anos de existência, que fornece tecnologia para bancos, tanto no segmento de processamento de pagamentos quanto na emissão de cartões. A companhia nasceu há 26 anos nos Estados Unidos e, por meio de aquisições, expandiu sua atuação para a área de banking. Atualmente, estamos presentes em 16 países nas Américas.
A IA está presente de maneira intrínseca em nossas soluções. Utilizamos Inteligência Artificial em nossas soluções de prevenção à fraude. Internamente, a tecnologia também é aplicada em diversas frentes, como no desenvolvimento de sistemas e codificação. Além disso, a IA é implementada por meio dos projetos que executamos para nossos clientes bancários.
No Brasil, nosso negócio está ancorado principalmente na plataforma de banking que foi herdada da aquisição da Technisys, em 2013. Vale lembrar que entramos no mercado brasileiro para lançar o Banco Original, que foi integralmente estruturado sobre a plataforma da Technisys. Outros grandes players no país também utilizam nossas soluções, como o Banese, Veloe e CSU Digital, entre outras.
Na América Latina, atendemos a mais de 30 grandes instituições financeiras, incluindo HSBC, Scotiabank e o Banco de la Nación, por exemplo.

Qual sua avaliação sobre as principais mudanças no setor financeiro e bancário desde o boom da IA?
A Inteligência Artificial surge para complementar tudo o que a transformação digital tem trazido em termos de eficiência nos últimos 12 anos. A IA é um elemento acelerador de ganho de produtividade.
Hoje, os bancos digitais já operam sem a necessidade de agências ou pontos físicos; o relacionamento é essencialmente digital. Nesse cenário, quando um banco busca eficiência, seu objetivo é reduzir custos operacionais e atender um número maior de pessoas com mais qualidade e escala. A IA é fundamental nesse processo.
A IA eleva o atendimento bancário ao permitir a hiperpersonalização das ofertas e o uso de chats generativos mais assertivos. Além disso, a tecnologia atua de forma invisível na melhoria da performance transacional, reduzindo fricções ao eliminar incertezas no processo de autorização de pagamentos.
Importante destacar ainda o impacto na velocidade de inovação. No modelo tradicional de banking, levava-se meses para desenvolver, codificar, testar e implantar um novo produto. Com o auxílio da IA nessa linha de produção, conseguimos reduzir esse tempo de forma significativa.
Hoje, vemos projetos complexos — da codificação ao lançamento — serem concluídos em menos de um mês. Portanto, a IA é, sem dúvida, o grande pilar de apoio para a evolução e eficiência do mercado atual.
O que a IA ainda pode trazer de inovação em termos de tecnologias e soluções para o setor bancário e financeiro?
A IA, especialmente a generativa, será o motor para o próximo grande passo do mercado: a inclusão financeira. Este é um conceito amplo, mas que começa pela educação financeira. No Brasil, temos cerca de 200 milhões de pessoas utilizando serviços financeiros, dos mais básicos aos mais complexos, e sempre houve uma dificuldade em educar esse público de maneira intuitiva.
Ainda sobre democratização, se olharmos para a pirâmide social, o serviço de private banking — altamente customizado e personalizado — sempre foi restrito ao 0,5% da população com maior poder aquisitivo. Hoje, graças à IA, conseguimos entregar um serviço dedicado, de alta qualidade e consultivo para a base da pirâmide. Isso é fundamental para que o cidadão entenda como investir ou como tomar crédito de maneira mais consciente.

Como a Inteligência Artificial pode transformar a inclusão financeira em uma realidade prática para o mercado brasileiro?
A verdadeira inclusão financeira vai além da abertura de contas, exigindo acesso ao crédito e educação para a gestão do capital. A IA acelera esse processo ao enriquecer a análise de dados para concessão de crédito e ao personalizar a instrução ao cliente em tempo real. Contudo, essa evolução depende de uma infraestrutura tecnológica moderna, pois sistemas legados e defasados impedem que o potencial da inteligência artificial seja plenamente aproveitado.
Quais são os novos planos da empresa para o Brasil?
Como mencionei, a Galileo está presente em 16 países, e hoje o Brasil é o nosso principal mercado na América Latina. Estamos investindo fortemente para expandir nossa base de clientes organicamente e para trazer soluções que já operamos no exterior.
Entre essas novidades, prevemos o lançamento das nossas plataformas de processamento e emissão de cartões — um mercado que, apesar da força do Pix, continua crescendo na casa dos dois dígitos. Em todas as nossas frentes, temos a IA participando de alguma forma. O padrão de qualidade, segurança e performance que entregamos com IA nos Estados Unidos, México e Colômbia será aplicado integralmente no Brasil.
Vejo potencial para que o mercado brasileiro se torne o segundo maior da Galileo no mundo. É um desafio, dado o cenário de alta concorrência e competidores estabelecidos, mas temos diferenciais sólidos para crescer aqui.
A mensagem principal é que a Galileo está preparada para apoiar bancos, fintechs e marcas que desejam trabalhar com embedded finance (finanças embutidas). Estamos prontos tanto para apoiar novos bancos do zero quanto instituições tradicionais que buscam a modernização de seus sistemas.






