A inteligência artificial está mudando a lógica dos investimentos em publicidade digital. Se antes as ferramentas eram usadas principalmente para automatizar campanhas e otimizar lances, a nova geração de soluções passa a ajudar anunciantes a identificar onde não vale a pena investir, priorizando a geração de receita incremental e a eficiência do orçamento. Em entrevista ao IA Brasil Notícias, o CEO da Primelis Brasil, Daniel Topper, afirma que esse movimento já está em curso entre empresas com maior maturidade digital e deve se consolidar como uma das principais tendências do setor nos próximos anos.
A Primelis iniciou oficialmente suas operações no Brasil há cerca de seis meses e já conquistou cinco clientes no país, incluindo Club Med Brasil, Crocs Brasil e Osklen. A expansão ocorre em um momento de maior demanda por soluções de inteligência artificial voltadas à otimização de investimentos em mídia digital e análise de desempenho de campanhas.
A busca por maior retorno sobre investimento tem mudado a forma como as empresas planejam suas campanhas digitais? Como?
Sim. As empresas passaram a exigir prova de receita incremental, não só métricas de volume. Isso deslocou a conversa de “quantos cliques geramos” para “quantos desses cliques teriam convertido mesmo sem o anúncio”. É uma mudança de mentalidade que ainda está em curso, mas já é irreversível entre as marcas mais sofisticadas.
De que maneira a inteligência artificial está ajudando anunciantes a melhorar a eficiência dos investimentos em mídia?
As ferramentas mais maduras de IA hoje não apenas otimizam lances, mas questionam a própria estrutura do investimento. O Signal, por exemplo, cruza dados de paid e orgânico em tempo real para identificar anúncios que canibalizam tráfego que já seria capturado pelo SEO. O resultado é recuperar entre 25% e 50% de budget que estava sendo desperdiçado sem que a receita caísse.
O mercado brasileiro está mais receptivo ao uso de ferramentas baseadas em IA para gestão de campanhas do que há alguns anos?
Muito mais. Há três anos, a conversa era sobre adoção básica de automação. Hoje, os times de performance das grandes marcas já chegam querendo entender incrementalidade, atribuição e eficiência marginal. A maturidade avançou, e a pressão por resultado acelerou esse processo.
Como vocês enxergam o crescimento dos investimentos em mídia digital no Brasil e quais fatores estão impulsionando esse movimento?
O mercado cresce de forma consistente, puxado pela penetração mobile, pelo e-commerce e pela consolidação das plataformas de social. O ponto de atenção é que o crescimento de investimento não acompanha necessariamente o crescimento de eficiência. Muitas marcas aumentaram budget sem revisar o que realmente gera receita nova. É esse gap que abre espaço para o que fazemos.
Quais foram os principais resultados observados nos primeiros meses de atuação da Primelis no Brasil?
Conquistamos clientes como Club Med Brasil, Crocs Brasil e Osklen já no primeiro semestre, com resultados consistentes de recuperação de budget e manutenção de receita. O feedback consistente é que além da nossa tecnologia, a nossa consultoria sênior incluída agrega valor desde o primeiro contato, independente da ativação do algoritmo.
Quais são os planos da Primelis para consolidar e ampliar sua presença no mercado brasileiro nos próximos anos?
O foco imediato é consolidar a base de clientes de tamanho intermediário pra grande, sem restrição de setor (fora, trabalhamos com grandes marcas no B2C ou B2B em diversos segmentos). Estamos reforçando a equipe, produção de eventos e conteúdo, com objetivo é ter mais de 10 clientes ativos até o final de 2026, com expansão progressiva nos anos seguintes.
Olhando para o futuro, quais tendências em inteligência artificial e performance digital devem ganhar mais espaço entre os anunciantes?
Três movimentos são claros: a mensuração de incrementalidade como padrão (e não diferencial premium), a integração estrutural entre paid e orgânico nas decisões de alocação de budget, e o uso de IA não para automatizar mais, mas para decidir onde não investir. A próxima geração de ferramentas de performance vai ser tão boa em cortar investimento improdutivo quanto em otimizar o que já existe.






